Você já percebeu o quanto limitamos a nossa mente? Com certeza já. A todo instante nos deparamos com inúmeras situações tanto no trabalho, como na família, onde surgem inúmeros pensamentos sabotadores. Nas relações interpessoais e intrapessoais, fica nítido o quanto fazemos mal para nós mesmos, sem nos darmos conta disso. E por que isso ocorre? Porque desde que nascemos, vamos desenvolvendo a nossa personalidade, o nosso “jeitinho de ser”. Estamos em constante aprendizado e construção. Quando somos crianças, descobrimos o mundo através da nossa curiosidade, do brincar, do compartilhar. Não temos medo de errar e fazer as coisas com muita paixão. Brincamos com caixas de fósforo, de gelatina, de ovos, ou ainda com tampinhas de garrafas. Qualquer objeto que chegue às nossas mãos, vira um brinquedo. Não precisamos de nada sofisticado, mas apenas algo que desperte a nossa curiosidade e o nosso interesse. Corremos atrás de insetos, cães, gatos e até cobras. Sim, cobras porque se ninguém nos parar, não percebemos muito o perigo com determinadas coisas. Colocamos na boca desde frutas até plantas tóxicas. Resolvemos que é legal subir em uma bananeira e nem percebemos que as jiboias e jararacas amam fazer ninhos nas bananeiras no verão. O que levam nossas mães ao desespero. Mas quem nunca, não é mesmo? Vivenciamos inúmeras emoções intensamente. Aprendemos a amar e a sorrir, como também chorar e sentir tristeza ou raiva quando um amiguinho brigava conosco. Pois é, o problema surge quando paulatinamente entramos na adolescência e idade adulta. Vamos assumindo mais responsabilidades e deixando de lado a nossa curiosidade, nossa capacidade de brincar, de sorrir espontaneamente e até mesmo de subir em árvores e desfrutar a vida como ela é. E ao amadurecer e consequentemente refletir, vamos nos dando conta que desde crianças, fomos sendo limitados e de certo modo moldados pelo ambiente, pela escola, enfim, pelos adultos que convivíamos. Isso faz parte do processo de desenvolvimento de cada um de nós. Porém, alguns de nós ouviram poucos incentivos e mais “Nãos” do que outros, ouviram mais “ Não Pode” do que outros. Ouviram muito “Isso não é para você” do que outros. E no final, depois de tantos “Nãos” da vida, o que percebemos? Que possuímos muitas crenças centrais e intermediárias instaladas e muitas distorções cognitivas que geram inúmeros pensamentos automáticos. Que contribui para uma limitação da nossa mente. E para evoluirmos, é extremamente necessário identificar para efetuar uma mudança. Efetuar uma quebra de paradigmas, ressignificar velhas crenças que já não nos servem mais. Para seguirmos em frente com mais equilíbrio e prosperidade. Aquele “Não Posso” que foi interiorizado quando subíamos em uma bananeira, por exemplo, hoje ele surge no nosso trabalho quando temos que dar uma palestra. Ele vem como um pensamento automático, sorrateiro, do tipo: “não posso”, “não consigo”. E digo para mim: sim “eu posso”, “eu consigo”. E assim ressignifico minhas velhas crenças, altero meus pensamentos de acordo com as situações e acima de tudo, acolho e percebo sobre a grande importância de não colocarmos limites em nós mesmos. É a mente que nos limita e não as circunstâncias. Quando tomo posse disso, me transformo. E ao me transformar, não me limitando, transformo o mundo.
Psicóloga Maria Luiza de Mello Nigro – CRP:08/05850.
