E quando bate a solidão?

Ah…a solidão! “A solidão é fera, a solidão devora. É amiga das horas, prima-irmã do tempo. E faz nossos relógios caminharem lentos. Causando um descompasso no coração”. Já dizia Alceu Valença, em sua música. Solidão, esse sentimento que todo ser humano vivencia em inúmeros momentos da sua vida. Estando só ou no meio de uma multidão. Ela surge sorrateiro, de mansinho, levando nossos pensamentos para longe ou para lugar nenhum. O fato é que ele está lá, aquele vazio na alma, aquele sentimento que para muitos é extremamente difícil de lidar. Já para outros, esse estado de “solidão” é muito apreciado, percebido de maneira muito positiva e inclusive, buscado pela própria pessoa. Sendo vivenciado de forma enriquecedora e muito prazerosa. A esse estado da alma, chamamos solitude. É aquele estado onde se é feliz sozinho, e a pessoa pode refletir, meditar, cuidar de si, fazer o que gosta, desenvolver a sua criatividade, seus talentos e acima de tudo, se conhecer melhor em um estado de tranquilidade e paz. Inclusive sabemos que muitos artistas, escritores, pintores, se isolam para contemplar o seu estado de alma e consequentemente criar melhor. Você com certeza já ouviu falar sobre muitos casos assim. Quando você não espera nada e muito menos ninguém, para te fazer feliz, você mesma se basta ao se integrar com a sua alma, suas emoções e seus verdadeiros talentos. Essa é a verdadeira solitude.

Porém, quando a solidão é vivenciada pelo indivíduo como algo muito perturbador e negativo, via de regra virá acompanhada de pensamentos intensos, difíceis de serem administrados, como também desencadeará certas reações fisiológicas. Acarretando um estado de melancolia profunda na alma, angustia e tristeza e em grande parte, uma sensação de desamparo muito grande. O que poderá contribuir a um estado de depressão ou mesmo ansiedade. Sabemos que dificuldades ou mesmo términos de relacionamentos estimados, perda de um emprego, de um ente querido ou animal, devido ao luto, naturalmente contribuirá para o estado de solidão e tristeza. Isso é perfeitamente esperado. No entanto, caso esse estado seja percebido de maneira muito intensa, com desesperança ou impossibilidade de resolução e demore muito tempo a passar, a intensidade advinda desse sofrimento será ainda maior.  Cabe ressaltar que esse estado de solidão, de desamparo, variará de pessoa a pessoa, uma vez que cada um vivenciará e lidará com ela de forma bastante peculiar e subjetiva.

Uma outra maneira de vivenciarmos a solidão é quando nossos valores e opiniões não são compatíveis a determinado grupo, quando não nos identificamos com as pessoas ao nosso redor. Até por mecanismo de defesa, passamos a nos fechar e nos isolarmos dos demais, evitando com isso a crítica e hostilização exterior. Encontramos muito isso no ambiente profissional, nos grupos escolares, de adolescentes e inclusive familiares. Caso esse isolamento do exterior seja duradouro, deve ser analisado. Uma vez que o isolamento introspectivo em excesso, poderá em um futuro próximo gerar dificuldades na construção de novos relacionamentos interpessoais saudáveis e positivos. Já quando nos sentimos emocionalmente dependentes de outras pessoas, a ponto de simplesmente não conseguirmos viver sozinhos, precisando sempre da presença do outro para nos trazer bem-estar e suporte emocional; é o momento de reavaliarmos o que de fato está permeando esse sentimento. Afinal, o apego em excesso “ao outro” para diminuir a solidão vivenciada, pode colaborar para um desequilíbrio ainda maior das emoções, tirando a nossa liberdade e consequentemente leveza, para desfrutar de tudo o que a vida nos oferece. Incapacitando-nos ao acolhimento frente às mudanças essenciais que a vida constantemente nos impõe. Nesse sentido, nos acolhermos enquanto seres humanos, acolhermos o sentimento de solidão e o explorarmos ao máximo, enxergando o lado positivo que a solidão nos oferece, nos torna mais fortes e resilientes no decorrer da vida. Afinal, é muito importante termos momentos sozinhos para restaurarmos a mente, reconectarmos com o todo e principalmente, nos conhecermos verdadeiramente em essência.

Se você tem problemas de solidão e está percebendo grande dificuldade para lidar com ela, que tal fazer psicoterapia? Através da psicoterapia você poderá trabalhar a sua autoconfiança, sua autoestima e consequentemente o seu autoconhecimento. Será capaz de compreender melhor em quais momentos a solidão é mais angustiante e aprender diferentes maneiras de combatê-la, a fim de que não seja tão debilitante a ponto de não conseguir lidar com ela. Pense com carinho e invista em você. Entre em contato comigo e agende uma sessão. Juntos poderemos descortinar muita coisa. Espero você! Grande abraço.

Psicóloga Maria Luiza de Mello Nigro – CRP 08/05850.

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