O fim de um relacionamento raramente é apenas o fim de um vínculo. É, muitas vezes, o desmoronamento de uma história que foi construída baseada em sonhos, grandes expectativas e imensos planos. É comum que, após o término, você se sinta perdido(a) — como se algo dentro de você tivesse sido arrancado brutalmente, deixando um vazio incomensurável. Essa sensação que cala fundo no ser, tem nome: luto.
Sim, um término amoroso é considerado um tipo de luto. Você no momento encontra-se enlutado por uma versão da vida que você criou, alimentou e agora não se realizará mais. Por uma presença que virou ausência. Por palavras que ficaram ditas pela metade, outras tantas que machucaram fundo e por silêncios que ainda gritam na alma.
Neste momento, é muito importante reconhecer sua dor com compaixão e amorosidade. Não apresse seu processo. O sofrimento, por mais incômodo que seja, tem uma função: ele sinaliza que algo foi importante, foi valoroso. Sentir tristeza não é sinal de fraqueza em absoluto, é sinal de que você amou com entrega, com profundidade.
Mas saiba: dor não é sentença. Ela é travessia.
O coração cansado de sofrer, de esperar mudanças, pode parecer incapaz de voltar a pulsar com esperança, mas ele se refaz, pouco a pouco, no ritmo da sua própria paciência. Ninguém deveria esperar que você “supere logo”, que esteja “bem de novo” como se fosse possível desligar o amor com um simples botão. O luto amoroso precisa ser vivido — e ele é único e diferente para cada pessoa.
Com o tempo, os espaços que hoje doem tanto podem se tornar lugares de aprendizado e muita transformação. Não porque você vai esquecer quem foi ou tudo o que viveu, mas porque você vai se lembrar com mais serenidade. Vai reconhecer que houve beleza, mesmo no que acabou. E mais importante: vai perceber que, apesar da perda, você continua inteiro(a).
O fim de uma relação não é o fim da sua história. É o fim de uma história. Mas outras histórias ainda esperam por você, para serem escritas.
Você ainda é digno(a) de amor, mesmo depois da despedida. Você ainda é capaz de encontrar alegria, mesmo após o silêncio. Você ainda merece recomeçar, mesmo que hoje não saiba como.
A esperança, às vezes, vem em passos pequenos. Num café tomado em paz, numa noite bem dormida, num reencontro mais aprofundado consigo mesmo. E isso já é vida gradualmente se refazendo.
Com cuidado, com tempo, com você.
— Redigida por uma psicóloga que sabe que corações partidos ainda batem, e batem muito forte. Com carinho,
Psicóloga Clínica Maria Luiza de Mello Nigro – CRP: 08/05850. Terapia Cognitivo-Comportamental.
