A tricotilomania, também conhecida como mania de arrancar cabelos, é um transtorno psicológico caracterizado pelo impulso irresistível de arrancar os próprios cabelos. Resultando em perda de cabelo visível e frequentemente levando a cicatrizes ou lesões no couro cabeludo, sobrancelhas, cílios ou outras áreas do corpo. Esse comportamento pode causar um impacto significativo na vida social, emocional e funcional da pessoa.
Causas: As causas exatas da tricotilomania não são completamente compreendidas, mas acredita-se que uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais esteja envolvida:
- Fatores Genéticos: Pode haver uma predisposição genética para transtornos relacionados ao controle de impulsos e compulsões.
- Neurobiológicos: Alterações na química cerebral e no funcionamento dos neurotransmissores, como a serotonina, podem estar associadas à tricotilomania.
- Fatores Psicológicos: Estresse, ansiedade, trauma ou questões emocionais não resolvidas podem contribuir para o desenvolvimento e manutenção do comportamento.
- Ambiente: Experiências adversas ou estressantes durante a infância, podem desempenhar um papel na manifestação do transtorno.
Tratamentos Psicológicos: O tratamento psicológico da tricotilomania geralmente envolve:
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): É uma das abordagens mais eficazes, especialmente a TCC focada em hábitos, que ajuda os pacientes a identificar e modificar os padrões de pensamento e comportamento associados ao impulso de arrancar cabelos. Na TCC algumas ferramentas são usadas de forma integrada e adaptadas às necessidades individuais de cada paciente. O objetivo é ajudar o paciente a entender e controlar seus impulsos, desenvolver habilidades alternativas e criar um plano de tratamento que funcione para ele. Abaixo estão algumas ferramentas e técnicas da TCC:
- Psicoeducação: O psicólogo ensina o paciente sobre tricotilomania, suas causas e efeitos. Com o objetivo de aumentar a consciência e a compreensão do comportamento. Afinal, explicar como a TCC pode ajudar e qual é o papel do paciente no tratamento é fundamental.
- Registro de Comportamento: o paciente utiliza um diário ou um aplicativo para monitorar os episódios de puxar cabelo, identificando gatilhos, emoções e situações associadas. Isso ajuda a identificar padrões e momentos críticos.
- Treinamento de Habilidades de Substituição: Desenvolver e praticar comportamentos alternativos para substituir o ato de puxar cabelo, como usar uma bola antiestresse, tocar um objeto específico ou fazer uma atividade manual.
- Treinamento de Habilidades de Atenção: Técnicas para aumentar a consciência e atenção no momento presente, como mindfulness e técnicas de relaxamento, podem ajudar a reduzir a compulsão de puxar cabelo.
- Reestruturação Cognitiva: Identificar e desafiar crenças e pensamentos disfuncionais que podem contribuir para o comportamento de tricotilomania, ajudando o paciente a desenvolver uma perspectiva mais realista e saudável.
- Controle de Estímulos: Modificar o ambiente para reduzir os gatilhos associados ao comportamento. Isso pode incluir mudanças no ambiente físico ou a utilização de estratégias para evitar situações que desencadeiam o impulso de puxar cabelo.
- Técnicas de Auto-Monitoramento: Incentivar o paciente a acompanhar e registrar a frequência e intensidade dos episódios de tricotilomania para avaliar o progresso e identificar áreas que necessitam de mais atenção.
- Treinamento de Habilidades Sociais: Se a tricotilomania está afetando a vida social do paciente, trabalhar em habilidades sociais e assertivas pode ser útil para melhorar as interações sociais e reduzir o estigma e a vergonha.
- Planejamento de Recompensas: Estabelecer um sistema de recompensas para reconhecer e reforçar os esforços e progressos do paciente em reduzir o comportamento de puxar cabelo.
- Terapia de Exposição e Prevenção de Resposta (EPR): Envolver o paciente em situações que normalmente desencadeiam o impulso de puxar cabelo e trabalhar com ele para resistir ao comportamento, promovendo novas formas de lidar com o desejo.
Essas ferramentas são usadas de forma integrada e adaptadas às necessidades individuais de cada paciente. O objetivo é ajudar o paciente a entender e controlar seus impulsos, desenvolver habilidades alternativas e criar um plano de tratamento que funcione para ele.
2.Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT): Foca na aceitação dos sentimentos e na adoção de ações alinhadas com valores pessoais, ajudando a reduzir a compulsão através da mudança na relação com os pensamentos e emoções.
3.Terapia de Grupo: Pode oferecer suporte e encorajamento por meio da interação com outros que enfrentam desafios semelhantes.
4.Treinamento de Habilidades Sociais e Técnicas de Relaxamento: Auxiliam no gerenciamento do estresse e na redução da ansiedade, que podem ser gatilhos para a tricotilomania.
Tratamentos Psiquiátricos: Quando necessário, a intervenção psiquiátrica pode incluir:
- Medicação: Não há medicamentos especificamente aprovados para a tricotilomania, mas alguns antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), podem ser prescritos para ajudar a controlar os sintomas. Outras medicações, como antipsicóticos ou estabilizadores de humor, podem ser considerados dependendo dos sintomas e comorbidades.
- Acompanhamento Psiquiátrico: Pode ser útil para monitorar a eficácia do tratamento medicamentoso e ajustar as dosagens conforme necessário.
Considerações Adicionais:
– Acompanhamento Contínuo: A tricotilomania é um transtorno crônico que pode exigir tratamento contínuo e acompanhamento regular para gerenciar os sintomas de forma eficaz.
– Educação e Suporte Familiar: A educação dos familiares e o suporte durante o tratamento podem ser cruciais para o sucesso da terapia.
Para um paciente que arranca cílios e tem tricotilomania, várias técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) podem ser particularmente úteis. A escolha da técnica pode depender das características específicas do paciente e das preferências pessoais.
Se você ou alguém que você conhece está lidando com a tricotilomania, buscar a orientação de um profissional de saúde mental qualificado é um passo importante, para obter um diagnóstico preciso e desenvolver um plano de tratamento adequado.
Grande abraço,
Psicóloga Clínica Maria Luiza de Mello Nigro – CRP:08/05850.
Formação em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo CETCC.(Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental).
