Quando pensamos em perdão, geralmente vem à tona inúmeras questões internas que nos geram grandes conflitos. E como é difícil perdoar e ao mesmo tempo almejar o perdão e ser perdoado. Passamos a vida inteira nesse processo de constante aprendizagem. Há uma linha tênue, quase indecifrável que permeia a situação. E ela é única para cada um de nós. Uns lidam muito bem com o perdão, são mais flexíveis, mais leves, esquecem as ofensas mais facilmente. Outros são rígidos e levam um certo tempo para perdoar. E há ainda pessoas mais rígidas, que falam em alto e bom som: jamais perdoarei, morro e não perdoo. Provavelmente vocês já ouviram alguém comentar isso, não ouviram? E está tudo certo, não há nada de errado, cada um é único em sua forma de agir e lidar com o perdão, lidar com seus conflitos internos e situações do dia a dia. Não nos cabe julgar, uma vez que estamos fora da situação. Mas para quem está envolvido, essa questão torna-se excepcionalmente desafiadora e ao mesmo tempo muito ambivalente e conflitante. Vale destacar que perdoar alguém, não envolve esquecer o que foi falado ou mesmo o ato praticado. Mas envolve ativar internamente um processo cognitivo de tomada de decisão, de compreensão de si mesmo e do outro, no qual nos tornamos mais conscientes dos comportamentos e dos sentimentos envolvidos. Mais conscientes dos pensamentos e inclusive crenças geradas a respeito de tudo o que nos envolve, nos impacta, nos alimenta e reverbera, não somente em nós, mas também no outro, a falta do perdão. Ao perdoar o outro, invariavelmente também me perdoo. E perdoar a mim mesmo é necessário e amar quem eu sou nesse processo, é fundamental! Ao perdoar deixo ir, abro mão de todo aquele controle e peso que me acompanha, me angustia e me permito esvaziar internamente, ficando cada vez mais leve. E nisso me liberto das amarras, dos ressentimentos, das mágoas, tristezas, raivas, dores e decepções, para seguir em frente. Ao flexibilizar e ressignificar a situação me desobrigo, ao deixar ir o que necessita ir, o que não agrega mais, para abrir novos espaços internamente e acolher as novas mudanças, acolher o novo em minha vida. Nesse processo do perdão, promovemos o acolhimento da paz interior, da tranquilidade, da alegria de viver ao nos proporcionar um estado verdadeiro de maior equilíbrio interno, maturidade e consequentemente aprendizagem. E paulatinamente vamos restabelecendo uma melhor qualidade de vida e proporcionando uma melhora extremamente significativa, na saúde mental.
Portanto sabe aquele perdão que vira e mexe e você analisa se concede ou não? Então, deixo aqui uma frase bem clichê e que com toda a certeza, você já ouviu: errar é humano e perdoar é sim necessário para a obtenção da cura interna. Permita-se perdoar para seguir em frente mais leve, em paz e consequentemente mais livre de bagagens desnecessárias. Deixe ir o passado e agradeça o aprendizado, porque tudo o que nos acontece na vida nos torna mais fortes, experientes e consequentemente muito mais resilientes.
Grande abraço,
Psicóloga Maria Luiza de Mello Nigro – CRP:08/05850.
